Bem-Estar

Minha filha é adolescente e apaguei completamente suas redes sociais

Vivian Porto - Psicóloga Clínica

Esse relato aconteceu no mês de julho de 2021, no qual uma mãe corajosa, frente às câmeras de TV explica o porquê fez algo bem invasivo. “Minha filha tem 14 anos, é uma menina brilhante e muito inteligente. Não a quero mais perdendo quase todo seu tempo fazendo dancinhas medíocres e gravando outros conteúdos idiotas. Para atingir 20.000 seguidores, seja lá quantos forem. Desnecessário!” Quando uma mãe toma alguma atitude em relação à filha, na realidade, está protegendo-a. O adolescente  necessita de tutoria, ainda existem dificuldades na percepção sobre o que pode vir a ser exagero, e atrapalhar seu desempenho como pessoa. Essa mãe recebeu algumas críticas dos amigos e seguidores, mas ao final de quatro semanas, a filha a entendeu e lhe deu razão. Estava mesmo absorvida com conteúdos que não desenvolvem positivamente e não agregam valores. Ela sabia que poderia muito mais, se tivesse o tempo que as redes sociais lhe roubava. Esse episódio nos ajuda a fazer algumas reflexões. A primeira é: por que os pais de muitos adolescentes não percebem isso? Temos crianças ainda trancadas em seus quartos, completamente absorvidas com os ditames de moda. Se antes pagavam muito caro por uma etiqueta (um pedacinho de pano com o nome do produtor) nas roupas e tênis, agora temos conteúdos diversos de modas comportamentais à revelia, orientando a vida deles, pensamentos fúteis, músicas duvidosas, atividade sexual diferenciada e variada, e inclusive, como morrer suicidando-se. Veja só, a criança em seu desenvolvimento passa por algumas fases. Segundo a psicanálise, há uma fase no desenvolvimento sexual chamada “latência”, o que significa estarem lá, todos os componentes de sexualidade. Como não há maturação hormonal, ficam sem uso nesse momento. Nesse período: entre 7, 8 anos, até 12 ou 13, meninos preferem os iguais e meninas também preferem suas amiguinhas. No meu ponto de vista há uma fusão, onde a infância acaba, mas as crianças estão infantilizadas. Por motivos da falta de experiência no mundo real, onde a fantasia da criança fica confundida com a idade adolescente. Ao sair da latência, quando a sexualidade impõe sua presença, o que os adolescentes menos avisados podem entender? Que há uma continuidade do estado anterior. Junte-se a quantidade de informações que são confusas sobre amor sem fronteiras, livre, poliamor, e várias outras formas sexuais de amar. Não se deve confundir com derrubar preconceitos, mas sim em criar novas maneiras de entender algo que o adolescente não tem maturidade suficiente para compreender  completamente, e peneirar o que serve do que é falso. E alguns, na ânsia de receber atenção e afeto, elegem para si o bizarro, para chocar: formas diferentes nas escolhas sexuais, cortar o corpo para chamar atenção ou diminuir a dor que está sentindo quando há a existência de uma depressão  (diagnosticada) e,   inclusive, desenvolver gradativamente a ideia de suicídio. Recentemente um adolescente gravou os últimos momentos de sua amiga com aproximadamente 15 anos, e a incentivou à queda de uma passarela de pedestre em uma rodovia. Ela consumou o ato, ele gravou até o final.
Enquanto nós psicólogos ouvimos relatos de meninas e meninos na faixa etária de 12 a 15 anos nos dizendo que já se relacionaram com parceiros do mesmo sexo e assumindo numa larga escala essa posição homoafetiva, porém conhecem alguém do sexo oposto e sentem-se confusos, enfim, sofrimento emocional. De outro lado recebemos as estatísticas que estarrecem.  Porque o maior índice de morte no Brasil hoje é de suicídios, drogas e acidentes. A faixa etária que mais morre por suicídio está entre 15 e 20 anos. Uma pessoa com 80 anos (2021) tem 82% a mais de chances de sobreviver nos próximos 2 anos do que eles. Mas, antigamente o suicídio estava em quinto lugar. Houve redução de acidentes de carro com campanhas. Porém, pensar em suicídio entre jovens e crianças é de arrepiar, não acham? Morrem mais crianças de suicídio no Brasil, do que no Japão, ultrapassamos eles. Meu querido povo, os pais precisam estar inteirados dos acontecimentos que envolvem seus filhos não só crianças, mas principalmente os adolescentes.
Podemos inferir que os pais não limitam seus filhos adolescentes, por duas situações: 1- inocentes pais, que não sabem o que estão fazendo; 2- codependentes pais, estão encurralados pelo medo de perder o amor dos filhos, e não sabem o que fazer.
Limitar, dizer basta é a mais pura expressão de amor quando o assunto é o menor de idade. Você norteará os passos dele, que poderá se irar, mas saberá o caminho que precisa trilhar e aprenderá o curso de algo bom para a coletividade, mesmo contrariado. Errará menos, sofrerá menos. Desfrutará de mais alegria, terá mais assertividade e mais confiança na vida. Precisamos de uma união de pais e iniciar uma campanha para evitar as dores da perda da infância, tantas ideias falsas sobre o viver no intuito de diminuir essas mortes precoces. É uma ideia, mas se ao ler você tiver outra, siga em frente!

 

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Criança, adolescente e adulto

Vivian Porto
Psicóloga Clínica CRP 08/26116
Graduada em Neuropsicologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/2003)
Título de Especialista pelo Conselho Federal de Psicologia

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