Entrevistas

Olhos abertos às oportunidades

Dr. Romeu Tolentino

Com uma visão empreendedora e solidária, Romeu Tolentino ajudou a construir a história da Oftalmologia na região Oeste do Paraná

Para se destacar em meio às dezenas de vozes em casa, desde cedo, Romeu Tolentino desenvolveu a liderança e o espírito altruísta. A família com 13 irmãos foi formada em Santo Anastácio, São Paulo, mas criou profundas raízes em Cascavel, Paraná, quando chegou na década de 50. O médico oftalmologista não só fez morada aqui, como também ajudou a cidade a tornar-se uma referência em Medicina.
Entre os anos de 1970 e 1981, Romeu trocou Cascavel por Curitiba. Devido a ideia, incentivo e apoio do irmão Fidelcino Tolentino, que estimulou os irmãos a estudarem curso superior na capital. Prestou todo o suporte necessário. A mãe dele já havia feito a profecia: queria muito que o filho fosse médico. De início, ele não ouviu o pedido e entrou para a faculdade de Farmácia. Entretanto, o destino foi aos poucos promovendo o encontro com a profissão que mudaria sua vida. “Eu trabalhava em uma farmácia e lá conheci um médico, que foi me explicando como era a Medicina. Conforme ele falava, eu ia sendo estimulado e fisgado”, revela. Então, a partir do segundo ano do curso de Farmácia, o tempo de Romeu passou a ser dividido com a graduação em Medicina. Achou loucura? Saiba que, depois que se formou como farmacêutico, ele ainda emendou o curso de Bioquímica!
A rotina universitária de Romeu, portanto, era muito badalada. O ritmo intenso, porém, não o impediu de tomar a frente nas discussões, como sempre gostou. Conseguiu tempo para presidir o Diretório Acadêmico de Medicina e também para ser o chefe dos médicos residentes. A aptidão para liderar vinha dos tempos de colégio, quando presidiu o grêmio estudantil do Colégio Estadual Wilson Joffre e também a Associação dos Estudantes Secundaristas de Cascavel.
Antes de se formar em Medicina pela Faculdade Evangélica de Curitiba, ele buscava a especialização que faria seu coração pulsar mais forte. No começo, Ginecologia e Obstetrícia tentou ocupar esse lugar, mas uma constatação fez Romeu deixar a preferência de lado. “Nos plantões, descobri que os bebês gostam de nascer de madrugada, e eu adoro dormir (risos)”, brinca.
 Romeu já flertava com a Oftalmologia e, com o caminho aberto, o relacionamento ficou firme. “Meu concunhado, que é oftalmologista, me convidou para ver cirurgias e depois de um tempo me chamou para auxiliá-lo. Logo também passei a trabalhar em um consultório de Oftalmologia, então iniciei a especialização”, relembra.

 

Visão aguçada

Cascavel estava longe de ser um polo médico em 1981, porém, Romeu Tolentino acreditava muito no potencial da cidade. Ao ficar sabendo que o SUS (Sistema Único de Saúde) precisava de oftalmologistas para a região, ele retornou ao município. Além disso, também se juntou a outros 48 médicos e compraram o Hospital Policlínica. Não demorou muito para que ele e o colega de especialidade, Luiz Antonio Kuss, abrissem uma clínica própria - a primeira especializada em Oftalmologia no oeste paranaense. “Fomos muito criticados. Aqui, a cultura da época era trabalhar em hospitais. Consideravam as clínicas como ‘elefantes brancos’. Nós não só provamos que era algo viável, como também fomos modelo para que mais profissionais abrissem suas próprias clínicas”, conta Romeu.
Vanguardista, em 1999, o médico inaugurou a Clínica de Olhos Dr. Romeu Tolentino com uma estrutura que já unia inovação e atendimento humanizado, antecipando os pontos mais buscados pelos empreendimentos médicos décadas depois. Dez anos mais tarde, surge o CEOP – Centro Especializado em Oftalmologia do Oeste do Paraná Dr. Romeu Tolentino. De camarote, o oftalmologista assistiu a uma verdadeira revolução na área e sempre buscou estar inserido nas novidades e, ainda na ativa, lidera um time de especialistas capacitados para tratar todas as áreas relacionadas à visão.

 

Olhar para o outro

 A ousadia nas atitudes não está restrita aos negócios: a ajuda ao próximo também sempre fez parte de seu repertório, com os atendimentos gratuitos no Lions Clube e as frequentes colaborações aos pacientes que tinham dificuldades de arcar com todos os custos do tratamento. “É o compromisso com a Medicina, acima de tudo. Nunca deixei ninguém sem ser atendido, e a contrapartida que a vida me deu foi ter me saído bem quando a minha saúde estava em questão”, reflete.
O maior desafio imposto pela vida foi a necessidade de um transplante de fígado, há 10 anos, por conta de uma cirrose em estágio avançado. O sucesso no procedimento fez com que Romeu reforçasse uma bandeira que já levantava há tempos: a importância da doação de órgãos. “Foi um aprendizado, um amadurecimento espiritual. Passei a acreditar ainda mais que há retorno por ser honesto, por fazer o bem”, expõe, seguido de um silêncio, cheio de emoção.
Casado com Rosa Rosi Gulin Tolentino, a qual foi sua companheira inseparável e sustentação ao longo destes anos, pai da Andressa e do Diego, que também escolheram a Medicina, e avô da Lívia e do Gabriel, Romeu Tolentino segue, aos 76 anos, com a alma jovem, cultivando a gratidão pelas pessoas e pelas oportunidades. “Tenho a impressão que minha cabeça não envelheceu. Aprendi que a vida é uma escola e faz sentido não pelo dinheiro que você ganha, mas pela quantidade de pessoas que você conseguiu ajudar”, finaliza.


"Quero deixar registrado a gratidão a minha família. À família da minha esposa, residentes em Curitiba, em
especial meu sogro João Gulin e minha sogra Rosa Gualdesi Gulin, e meus pais José Tolentino e Maria Scalon
Tolentino, já falecidos. Aos meus amigos de jornada, colegas médicos que caminham juntos nessa missão.
Aos meus filhos, minha esposa e meus netos, os quais me dão motivos para continuar essa caminhada."

 

Dr. Romeu Tolentino

CRM-PR 6141
Oftalmologista - RQE 1285
- Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia;
- Membro da American Academy of Ophthalmology;
- Membro sócio do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), APO e SOB